A Greta é uma livraria e editora feminista com livros escritos por mulheres e pessoas não binárias.
Clarice Lispector
«Era um lamento sem tristeza. O homem estava no coração do Brasil. E o silêncio fruía a si mesmo. Mas se a brandura era o modo como se ouvia a noite, para a noite a brandura era a sua própria aguda espada, e na brandura a noite toda estava contida.»
Dividido em três capítulos e girando em torno de três personagens — Martim, Vitória e Ermelinda —, este é um livro primorosamente construído em torno de mistérios, alegorias e ligações paradoxais.
Martim está em fuga de um crime que acredita ter cometido, e mergulha na noite, na selva, nas sombras, avançando entre o medo e o fascínio. As primas Vitória e Ermelinda vivem numa propriedade remota e silenciosa, e o seu quotidiano é sobressaltado pela chegada inesperada de Martim, que ali ficará a trabalhar. Um homem que encerra um enigma e cujo espírito é habitado pela escuridão. Um homem em busca de «saber qual é a ação de um homem». Num romance profundamente metafísico, Martim, alter ego de Clarice Lispector, parece estar sempre diante de uma quase-epifania: vive a sua vida como destino e encontra no instante antes da queda uma hipótese de salvação.
Magda Gomes Dias
O que se passa na cabeça dos miúdos? Porque parecem nunca ouvir o que dizemos? Como os ajudamos a crescer sem cair no controlo excessivo? E como os afastamos do telemóvel? Mais de dez anos depois da primeira edição, Crianças Felizes foi atualizado, porque a parentalidade mudou e é urgente refletir sobre a educação das nossas crianças num mundo cada vez mais polarizado.
Com rigor científico, uma linguagem prática e a irreverência que fez deste livro uma referência, Magda Gomes Dias vai ajudar as famílias a transformarem os desafios do dia a dia em oportunidades para fortalecer a relação com os filhos.
Descubra como:
• Acompanhar crianças até aos 12 anos sem as controlar excessivamente ou abandoná-las.
• Ajudar os seus filhos a resolver conflitos e a criar relações saudáveis com os outros.
• Educar crianças e adolescentes mais confiantes, resilientes e felizes.
O guia indispensável para todos os pais que querem viver com menos culpa, menos insegurança e com mais ferramentas para navegar com tranquilidade a epopeia que é educar.
Liliana Meireles de Sousa
Clara é educadora de infância e vive rodeada de caos, listas inacabadas e pensamentos que correm mais depressa do que o tempo.
Diogo aparece quando ela menos espera. Carismático, atento, irresistível. Faz com que se sinta vista, compreendida e amada como nunca antes.
Mas, pouco a pouco, o encanto transforma-se numa prisão invisível. As palavras carinhosas dão lugar às críticas, a admiração converte-se em controlo e cada discussão termina da mesma forma: a culpa é dela. Afinal, ela é que exagera. Ela é que imagina. Ela é que está maluca.
Entre o love bombing, o gaslighting e o abuso psicológico, esta é uma história inquietante sobre a violência doméstica que não deixa marcas na pele, mas destrói a identidade de quem a sofre.
Um romance intenso, atual e profundamente humano sobre manipulação, sobrevivência e a difícil reconquista da própria voz. Porque, por vezes, o ato mais corajoso de amar é escolher salvar-se a si mesma.
Elvira Vigna
Esta é uma história de separação, mas não é uma história de mulheres que choram pelos cantos da casa ou de homens que redundam em clichês. Elvira Vigna, escritora avessa ao linear e categórico, constrói uma trama de infidelidades e jogos de poder, e um mapa das deslocações de uma mulher que procura — geograficamente, intimamente — o lugar de si, na sua solidão, no seu vazio, naquilo que apenas a ela pertence. Esta mulher chama-se Valderez. Os homens à sua volta são Paulo, com quem partilha a cama, e Pedro, com quem partilha Molly, a mãe. Molly, e a sua história de menina do interior abusada pelo patrão, será o foco de uma viagem ao passado. Paulo, amante de Valderez, será loucura e dispersão. Por escrito debruça-se sobre corpos que se encontram em camas de lugares diferentes, de uma fazenda ao Rio de Janeiro, de Paris a São Paulo: por vezes, debruça-se como alguém que olha o mundo a partir de um varandim; outras vezes, como alguém que se lança num túnel sem luz. Um romance atravessado pelo sexo e pela memória, como duas faces de uma única moeda.
Um jardim pode ser um vaso na janela, uma horta na varanda, um canteiro no recreio da escola, um parque público partilhado por todos ou um livro de poemas. [...] O que interessa é que exista, nem que seja na nossa imaginação, como um oásis para os dias mais áridos.
Andreia C. Faria
«O coração retira-se de todas as coisas», mas Andreia C. Faria constrói histórias com os sedimentos do músculo mais plástico de todos: sonhos que assombram noites, e também alguns dias; gestos mecânicos feitos por quem trabalha e que lembram como são brutas as metáforas; um amor juvenil que sugere, como num jogo, a violência do sexo e a difícil intimidade; a visita a museus onde se descobrem afinal enganos do olhar e uma perpétua perturbação; o saque de memórias da terra, da infância, da pobreza; o desejo de regresso ao ventre materno, antídoto para certos ódios e certos amores; oráculos da carne e do espírito, que pouco consolam; uma juventude de longos cabelos e raparigas em flor; Tróia e outras guerras, outras perdas.
Aposto tudo numa elegância ferida revela-nos Andreia C. Faria como artífice de uma prosa sem paralelo na literatura portuguesa, que dá forma a um imaginário poético cru, lúgubre e melancólico, tão luminoso como a mais depurada educação sentimental. Há livros que se cosem ao tecido do mundo, e há livros que, como este, tecem o corpo do mundo.
Karina Sainz Borgo
Na casa da família na povoação caribenha de La Araira, oito irmãs vivem à sombra de uma mãe morta-viva, perante o abismo de uma linhagem em decadência. A morte inesperada do pai desequilibra as relações de poder na casa, que fecha as portas a todas as ameaças do mundo exterior. As mulheres passam a viver como pássaros engaiolados, medrosos e sedentos de vingança.
Quem nos narra a história é Nazarena, a sétima filha, que as irmãs consideram doida. Leva os dias a varrer obsessivamente o pátio da casa. Pensa assim poder afastar o azar. Mas a poeira que se levanta destapa todos os ressentimentos e violências do passado. Regressam os mortos, aparecem animais que pressagiam desastres, e o silêncio reinante, só interrompido pelos gritos das mulheres da casa, é uma ameaça densa.
É uma casa de família em La Araira. Mas nessa casa-prisão cabe um país, cabe um mundo, cabe o tempo todo. Depois dos premiados Cai a noite em Caracas e O terceiro país, a escritora venezuelana Karina Sainz Borgo volta a reinventar-se e a surpreender, compondo uma saga familiar que ecoa a melhor tradição de Juan Rulfo, García Márquez, Faulkner e Lorca.
Com um registo singular em que se mesclam realidade e alucinação, entrega-nos uma história inquietantemente contemporânea e universal, que destapa as feridas da existência.
Han Kang
Num estilo brilhante, que oscila entre a delicadeza e a brutalidade, um livro que mostra como, no fundo, nunca conhecemos inteiramente a vida dos que nos são próximos.
Quando In-ju, uma pintora que viveu sempre a sua arte de forma intensa e poderosa, morre num acidente de automóvel, a sua melhor amiga, Lee Jeong-hee, recusa-se a acreditar no que afirma um crítico de arte que dela escreverá uma biografia: que a artista, afinal, se suicidou. Jeong-hee embarca então numa investigação obsessiva que a levará a descobrir aspetos desconhecidos de uma vida marcada pela fragilidade e pelo desamparo.
Mas a procura da verdade, tantas vezes perigosa, obrigá-la-á a revisitar também a sua própria história, a remexer em velhas feridas e a enfrentar a vertigem provocada pelo simples mistério da existência.
Os sonhos e as memórias, a pintura e a astrofísica, a poesia e o suspense, são alguns dos elementos que compõem este thriller singular e fascinante que a vencedora do Prémio Nobel escreveu a seguir ao romance que lhe traria projeção internacional. Em Tinta e Sangue, Han Kang aprofunda questões que perpassam A Vegetariana e toda a sua obra e, uma vez mais, aponta caminhos possíveis mesmo em personagens visivelmente atormentadas: devemos sobreviver para dar testemunho da verdade através das nossas próprias vidas.
Ana Maria Gonçalves
Um Defeito de Cor conta a saga de Kehinde, mulher negra que, aos oito anos, é sequestrada no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia. No livro, Kehinde narra, em detalhe, a sua captura, a vida como escravizada, os seus amores, as desilusões, os sofrimentos, as viagens em busca de um dos seus filhos e da sua religiosidade. Além disso, mostra como conseguiu a sua carta de alforria e, na volta para África, se tornou uma empresária bem-sucedida, apesar de todos os percalços e aventuras pelos quais passou.
A personagem foi inspirada em Luísa Mahin, que teria sido mãe do poeta Luís Gama e participado da célebre Revolta dos Malês, movimento liderado por escravizados a favor da abolição. Inserido num contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de forma original e pungente, na qual os factos históricos estão imersos no quotidiano e na vida dos personagens, Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo e forte romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página
Irene Vallejo
«Somos seres entrelaçados com narrativas, bordados com fios de vozes, de história, de filosofia e de ciência, de leis e de lendas. Portanto, a leitura continuará a cuidar de nós se cuidarmos dela. O que nos salva não pode desaparecer. Os livros recordam-nos, serenos e sempre prontos a desdobrar-se diante dos nossos olhos, que a saúde das palavras está enraizada nas editoras, nas livrarias, nos círculos de leitura partilhada, nas bibliotecas, nas escolas. É aí que imaginamos o futuro que nos une.»
Manifesto pela Leitura é a defesa intransigente da importância de livros e leituras. Um pequeno livro que a escritora torna tão grande que nele está contido tudo o que é essencial.
Ana Paula Maia
Numa colónia penal esquecida pelo mundo - ou abandonada por ele -, a sobrevivência faz-se de medo, silêncio e obediência. Valdênio, velho e cansado, já não espera nada de ninguém. Bronco Gil, caçador e assassino, ainda acredita numa saída. Mas a colónia transformou-se num campo de extermínio: Melquíades, a autoridade máxima, caça os presos como se fossem animais, aniquilando-os por puro prazer.
Haverá escapatória para quem foi deixado para trás?
Com uma escrita implacável, On Earth As It Is Beneath, na sua versão inglesa, conquistou um lugar entre os seis finalistas do International Booker Prize 2026, um dos mais prestigiados prémios literários do mundo.
«Assim na Terra como embaixo da Terra é uma exploração crua e perturbadora do poder, da violência, da destruição e da corrupção institucional, que permanece com o leitor muito depois da última página.»
Júri do International Booker Prize
En septiembre de 2019 se estrenó el documental Hijas de la Nakba. A través de entrevistas a ocho mujeres palestinas, se mostraban las fechas y hechos más significativos de más de un siglo de colonización y ocupación de Palestina, así como las opresiones diarias a las que están expuestas, y su implicación en la lucha por la liberación nacional palestina. A raíz del nuevo episodio de genocidio desatado por Israel en octubre de 2023 sobre el pueblo palestino, hemos recogido estos testimonios en su totalidad, pudiendo realizar dos entrevistas más, completando hasta la decena estas voces de mujeres palestinas.
Sus voces nos hablan de su resistencia a la colonización de sus tierras, a la ocupación y al apartheid al que Israel somete al pueblo palestino; de cómo plantan cara a un sistema patriarcal cuyo conservadurismo se fortalece y endurece con la ocupación; de cómo se enfrentan a una mirada occidental, eurocéntrica, llena de estereotipos, que las relega simplemente como mujeres sumisas, como números o como víctimas de un conflicto. Una mirada cargada también de racismo e islamofobia.
El título alude a la Nakba o «catástrofe»: entre 1947 y 1949 el territorio de Palestina fue destruido y usurpado por el colonialismo sionista, que pretendía expulsar y reemplazar a los palestinos para instaurar el Estado de Israel, fundado en 1948. Sus tropas ejecutaron una limpieza étnica: entre 750.000 y 800.000 palestinos de todas las clases sociales, procedencias y credos fueron expulsados de sus hogares y tierras, y sus propiedades fueron robadas o destruidas para que no pudieran regresar nunca.
Esta expulsión y expolio fue acompañada de matanzas como la de Deir Yassin, que el sionismo utilizaría para que cundiera el pánico entre la población y la expulsión fuera más «eficaz».
Los relatos orales recogidos en Hijas de la Nakba constituyen un acto de reivindicación de la voz de las mujeres palestinas, así como de la existencia y resistencia del pueblo palestino, y la denuncia del genocidio que está cometiendo Israel.
Stephanie Burt
A major poet and literary critic leads an aesthetic adventure through poems about queer experience, by writers who identify as lesbian, gay, bisexual, queer, trans, nonbinary, gender fluid, and more.
The poems in this anthology represent the great variety of queer and trans life itself. They include near-sonnets, iambic couplets, and rhymed quatrains; skinny dimeters and shaped poems; chatty free verse and intentionally inaccurate translations; the demotic and the rococo. Arranged in chronological order, the selections trace queer culture’s recent evolutions. Frank O’Hara, Audre Lorde, Judy Grahn, James Merrill, Thom Gunn, Jackie Kay, Adrienne Rich, Chen Chen, essa ranapiri, and The Cyborg Jillian Weise—poets widely known and poets who deserve to be—share their alienation, their euphoria, and their encounters with a protean community as it discovers new solidarities and new selves.
Each piece is paired with a concise, eye-opening essay in Burt’s trademark style, with verve and an inimitable literary ear. A treasury of aesthetic experience and insight, Super Gay Poems points protestors, political organizers, poetry lovers, and LGBTQIA+ readers toward many beautiful tomorrows.
Sara Ahmed
In Living a Feminist Life Sara Ahmed shows how feminist theory is generated from everyday life and the ordinary experiences of being a feminist at home and at work. Building on legacies of feminist of color scholarship in particular, Ahmed offers a poetic and personal meditation on how feminists become estranged from worlds they critique—often by naming and calling attention to problems—and how feminists learn about worlds from their efforts to transform them. Ahmed also provides her most sustained commentary on the figure of the feminist killjoy introduced in her earlier work while showing how feminists create inventive solutions—such as forming support systems—to survive the shattering experiences of facing the walls of racism and sexism. The killjoy survival kit and killjoy manifesto, with which the book concludes, supply practical tools for how to live a feminist life, thereby strengthening the ties between the inventive creation of feminist theory and living a life that sustains it.
Cristina Peri Rossi
Tradução Guilherme Pires
A Sociedade não queria que eu usasse calças, nem que assobiasse, nem que jogasse à bola, nem que trepasse às árvores, a Sociedade não queria que eu fizesse perguntas nem que lesse alguns livros. A Sociedade era um NÃO gigante contra os meus desejos.
A INSUBMISSA (2020), romance autobiográfico de Cristina Peri Rossi, é o retrato de uma rebelde enquanto criança, adolescente e futura escritora, que, desde cedo, embatendo num mundo implacável para com a diferença, quis pensar pela sua cabeça. Fundindo histórias de família e de um país — da estação ferroviária rural aos bairros de Montevideu habitados por imigrantes —, é pelo olhar franco da menina e da jovem que assistimos aos primeiros choques com normas arbitrárias, ao despertar do gosto pela leitura e do amor pelos animais, à consciência do estigma associado à mulher artista e à homossexualidade. Um livro sobre o despontar de uma identidade e de uma vocação, por uma das maiores autoras da literatura sul-americana.
Camila Sosa Villada
Ilustração: Sonia Pulido
Camila comprende, desde muy temprano, que la identidad que el mundo le asigna no coincide con la que ella siente como propia. Al trasladarse a Córdoba (Argentina) para estudiar, la precariedad la empuja a pasar noches en el parque, donde encuentra a un grupo diverso de mujeres trans que conviven en torno a la casa rosa de la Tía Encarna. Allí se tejen vínculos que permiten sostenerse frente a la violencia policial, el estigma social y la inseguridad económica. En ese entorno, Camila escucha, narra y va hilando su propia historia de tránsito hacia la adultez.
Las malas es una novela deslumbrante que convierte la vida de un grupo de travestis en un territorio mítico, feroz y humano. Camila Sosa Villada construye un testimonio íntimo
y a la vez cuestionador, que amplía el campo de la narración sobre la identidad y la experiencia trans. Celebrada por la crítica y los lectores, premiada internacionalmente y traducida a numerosas lenguas, Las malas se ha consolidado como un libro imprescindible de la literatura latinoamericana contemporánea.
El lenguaje gráfico de Sonia Pulido —su paleta vibrante, los contrastes potentes, los cuerpos grandes y empoderados— amplifica el sentido crítico del texto, al tiempo que subraya la ternura de la comunidad travesti. Los marcos repletos de símbolos —coches, labios, ojos, lunas, armas, cuchillas, rosarios, lágrimas— funcionan casi como un retablo trans, un altar profano donde conviven el peligro, el deseo, la religiosidad popular y el humor.
Ursula K. Le Guin
“Escuchar es un acto de comunidad que requiere un lugar, tiempo y silencio. Leer es una manera de escuchar.”
Ursula K. Le Guin reúne en este libro sus textos de no ficción en un diálogo con el lector sobre asuntos tan aparentemente dispares como la belleza, la vejez, la naturaleza, el arte o la política y la influencia en su vida y en su obra de autores como Tolstoi, Tolkien, Mark Twain o Borges. Sobre todos ellos sobrevuela la necesidad de la imaginación como supervivencia. “Creo que la imaginación es la herramienta singular más útil que posee la humanidad”.
Contar es escuchar es uno de esos libros que hay que leer bolígrafo en mano porque subrayar y releer las palabras de esta autora es adentrarse en un territorio asombroso, cargado de lucidez, coherencia y valentía. Escrito en plena madurez creativa, la autora dibuja en este libro el resumen de un vida dedicada a la literatura y al activismo social.
The Fran Lebowitz Reader brings together in one volume, with a new preface, two bestsellers, Metropolitan Life and Social Studies, by an "important humorist in the classic tradition" (The New York Times Book Review) who is "the natural successor to Dorothy Parker" (British Vogue). In "elegant, finely honed prose" (The Washington Post Book World), Lebowitz limns the vicissitudes of contemporary urban life - its fads, trends, crazes, morals, and fashions. By turns ironic, facetious, deadpan, sarcastic, wry, wisecracking, and waggish, she is always wickedly entertaining.
Conceição Evaristo
Romance de estreia de Conceição Evaristo e uma das suas obras mais aclamadas, Ponciá Vicêncio conta a história de uma jovem afro-brasileira que parte da terra dos seus antepassados, decidida a traçar uma nova vida na cidade. Mas, pouco a pouco, desligada das raízes e longe dos seus, enredada na pobreza e no vazio da vida urbana, imagens do passado ocupam a mente de Ponciá: a misteriosa herança de Vô Vicêncio, o cheiro do barro, murmúrios, lamentos e risos, e a sua rede de sonhos, mais e mais deslaçada. Conceição Evaristo ilumina neste livro o significado profundo da memória e da identidade, a solidão e o alheamento, a amarga herança da escravatura e a força da ancestralidade.
Entre os 25 Melhores Livros Brasileiros do Século XXI da Folha de S. Paulo
bell hooks
Não é verdade que os homens não estejam dispostos a mudar. É verdade que muitos têm medo de mudar. É verdade que massas de homens não começaram sequer a observar de que modos o patriarcado os impede de se conhecerem a si próprios, de estarem em contacto com os seus sentimentos, de amar.
Para produzir «homens a sério», a sociedade patriarcal exige deles um sacrifício: serem violentos. Consigo próprios e com quem lhes é próximo. Só então se tornam dominantes, intensificando ressentimentos e mutilando a sua vida afectiva. A VONTADE DE MUDAR é uma das primeiras obras feministas a reflectir sobre a «crise da masculinidade». Ao interpelar as inquietações mais comuns entre os homens — o medo da intimidade, o desgosto amoroso, o isolamento, a exigência do trabalho, a virilidade e o desempenho sexual —, bell hooks oferece-nos uma visão transformadora do que poderia ser uma masculinidade liberta. E um mundo onde mulheres e homens podem ser partes de um todo.
Paola D'Agostino
No Sul de Itália, na década de 1970, uma mulher gravemente doente engravida, e tem de tomar uma decisão drástica: continuar a tratar-se para sobreviver, ou interromper os tratamentos para dar à luz. O caminho que ela escolhe é condição de existência deste livro. Em Ocupação da mãe, Paola D’Agostino procura forjar uma língua partilhada entre mãe e filha, para construir a narrativa de um laço que nunca chegou a existir.
Face à ausência da voz da mãe, face ao silêncio instalado depois da sua morte, a autora cultiva a escuta e a contemplação. Coloca o ouvido na terra, procurando discernir o rumor surdo que a atravessa e unir pontos invisíveis da sua própria vida. Observa, como se perante uma fotografia, a condição feminina numa sociedade católica, conservadora, patriarcal, onde as escolhas são limitadas e os sonhos de liberdade, infindos. Se não tivermos conhecido a nossa mãe, talvez nos falte para sempre uma língua materna, ou talvez fiquemos numa travessia sem começo nem fim.
Este é um livro que põe em cena o desejo primordial de pertença e, paradoxalmente, o impulso permanente de mudança. A travessia, afinal, é contra o esquecimento.
Daniela Krien
«Na luz pálida de inverno deste dia de janeiro, estou sentada à janela da cozinha, bebo chá de gengibre acabado de fazer com muito mel e observo o pátio lá fora. […] Paira sobre a paisagem uma massa cinzenta uniforme que engole toda a alegria e abafa todas as sensações, as más como as boas. Sinto qualquer coisa, mas é qualquer coisa que não quer sair: um pequeno raio de luz, que quase não se vê e que, no entanto, sustenta a minha vida.»
Depois de um infortúnio que lhe roubou Sonja, a filha adolescente, Linda muda-se da cidade para uma aldeia, e isola-se numa casa inóspita. Dedica-se a cuidar da quinta, dos animais e da cadela Kaja. Resta-lhe pouco mais do que a bondade de estranhos — um casal de vizinhos e uma mulher da sua idade, mãe de uma rapariga com autismo. Neste quotidiano agreste e solitário, cultiva com dedicação a memória da filha que perdeu, fixando a sua presença imaterial e mantendo intocado um laço perene.
Quando Richard, o marido de quem se afastara, adoece, Linda decide ficar ao seu lado. Nada fazia prever o momento epifânico que, depois de tudo, lhes traz o alento há muito perdido.
Tatiana Țîbuleac
Aleksy recorda o último verão que passou com a mãe, numa pequena vila costeira no Norte de França. Passaram-se muitos anos, mas o seu psiquiatra acredita que a única solução para curar o bloqueio criativo que enfrenta como pintor é reviver as emoções que o dominaram nesse tempo longínquo: ressentimento, tristeza, raiva, saudade, abandono.
Como superar o desaparecimento da pequena irmã Mika? Como perdoar a mãe, que sempre o afastou? Como encarar a doença que o consome? Esta é a história de um irrepetível verão, três meses em que mãe e filho, empurrados pela iminência da morte, finalmente depõem armas e procuram a paz, entre si e dentro de si.
Uma narrativa de uma intensidade inesquecível, tingida pela luz de um verão à beira-mar e pelas brumas da derradeira despedida. Nestas páginas, o sol aquece-nos a pele, respiramos o perfume das flores, mergulhamos no mar e emergimos reconfortados pelo amor que sempre existe entre mãe e filho.
Sara Torres
Tras el éxito de Lo que hay y La seducción, vuelve Sara Torres con un ensayo que busca la manera de pensar fuera del binarismo heterosexual, una indagación en el gozo que se aleja de una fantasía identitaria basada en un combate entre opuestos.
«Amantes son los cuerpos que sonríen antes de comer, que miran a los ojos antes de besar. Su pulsión está orientada al encuentro intersubjetivo, y por ello existe en la dimensión de lo ético. Lo cuerpos amantes desean derrocar el sistema heterosexual racializante y patriarcal porque desean borrar en la mirada de la otra el fantasma de una violencia vivida antes del encuentro entre los cuerpos amantes. Los cuerpos amantes, sujetos de este libro, anhelan la alegría de aquellas a quienes aman y se frustran con la herencia de un mundo simbólico que agrede y limita su capacidad de atención.
Porque sonríen antes de comer y miran a los ojos antes de besar, no desean la mascarada de la otra, no encuentran descanso en la alegría ensayada y complaciente del género, ansían el encuentro a través de una esperanza de comunicación más veraz. Porque su pulsión existe en la dimensión ética, porque se practica en lo intersubjetivo, los cuerpos amantes, sobre todo, desearán haber amado bien»
Confirmada como una de las grandes revelaciones de la literatura española contemporánea con Lo que hay y La seducción, Sara Torres firma un ensayo que busca la manera de pensar fuera del binarismo heterosexual. Con el propósito de adelgazar las imágenes y las ideas que nos inician en la cultura humana de lo corporal y lo sexual en occidente, la autora busca prácticas gozosas que se alejen progresivamente de lo que llama la “fantasía hetero-real”, una fantasía identitaria basada en un combate entre opuestos.
Cecília Honório & Rita Calvário
ELAS TAMBÉM ESTIVERAM LÁ: A REVOLUÇÃO DE ABRIL ATRAVESSOU O PAÍS RURAL, DANDO VOZ A MUITAS MULHERES QUE LUTARAM PELA TERRA, POR DIREITOS E POR VIDAS MAIS DIGNAS
Livro feito em parceria com a Comissão 50 Anos 25 de Abril
Entre o latifúndio do Sul e a agricultura familiar do Norte, as mulheres rurais portuguesas organizaram‑se, resistiram à ditadura, participaram na Reforma Agrária e transformaram as suas comunidades.
Partindo do cruzamento entre fontes escritas e testemunhos orais, Mulheres, Terra e Revolução resgata histórias silenciadas e mostra como estas mulheres foram protagonistas ativas do processo revolucionário.
Através de uma perspetiva de género, o livro evidencia continuidades, ruturas e a construção das identidades políticas femininas, revelando que «elas também estiveram lá» — e que o seu contributo é essencial para compreender a Revolução no mundo rural.
«As mulheres deste livro, ou seja, as mulheres da Reforma Agrária e das aldeias da agricultura familiar, já não se reconhecem nas mulheres do meu país, de Maria Lamas: fortes, trabalhadoras, orgulhosas, mas limitadas a lutar apenas pela sobrevivência. Também não se identificam como vítimas, não desconhecem a sua condição humana e social, nem se reduzem a uma situação de apatia e passividade. São agricultoras familiares que lutaram por melhores preços, pela defesa dos seus baldios, por arrendamentos mais justos, pelo acesso à previdência rural. São também assalariadas rurais que lutaram pela terra, para terem trabalho e salário. São mulheres que tomaram a palavra quando não era esperado que o fizessem, e contudo fizeram‑no, sendo o que eram, ou seja, vivendo sociabilidades e relações familiares tradicionais que lhes impunham hábitos e costumes que as limitavam nos seus quotidianos. São estas ‘mulheres comuns’ que lutaram e se rebelaram por si próprias e pelas suas famílias, mas também participaram em lutas em que se defendiam valores cívicos da vida coletiva e interesses das comunidades em que residiam.»
— Fernando Oliveira Baptista, Prefácio
Luísa Sobral
Pequenas histórias que abrem uma janela sobre o quotidiano da autora, tão familiar e reconhecível quanto divertido.
Diz a autora do presente livro que a crónica a conquistou antes de tudo como exercício de escrita, mas que acabou também por moldar a sua forma de olhar para as coisas e de observar o mundo; e que já não sabe se são determinados acontecimentos que a levam a fazer uma crónica, se afinal é ela própria quem provoca situações irregulares para arranjar assunto para escrever.
Neste belíssimo livro a que Luísa Sobral chamou Da Minha Janela, os leitores riem com a sua falta de jeito para armar uma tenda para os filhos brincarem, mas podem também irritar-se com um edredão que escorrega permanentemente para o chão, ficar indignados com o comportamento de um motorista de TVDE e até preocupar-se com a saúde de alguém muito próximo.
Estes textos fazem-nos pensar sobre o dia a dia de uma maneira mais profunda e mais estruturada e, de repente, é como se a janela da autora fosse, afinal, também a da nossa casa.
Camila Sosa Villada
Com raiva e poesia, A Viagem Inútil constitui o relato cru da própria vida de Camila Sosa Villada: as suas origens, a sua dolorosa infância – um corpo clandestino de mulher açoitado pela fúria alcoólica do pai –, a vivência como travesti que conheceu a prostituição, mas também o êxito no teatro; e o exercício da escrita, que não pode ser senão radical, intenso, a busca de uma reparação impossível.
«Escrevo para que uma história se saiba. A história do meu travestismo, da minha família, da minha tristeza na infância, de toda a tristeza prematura que foi a minha família, o alcoolismo do meu pai, as carências da minha mãe. As mudanças que me afastavam para sempre dos amigos, do clima dos meus quartos, do costume dos pátios, da segurança de um esconderijo. Escrevo para poder dizer as imagens que povoaram a minha infância. Também para dizer a luta da minha família contra a pobreza, um conflito que nos devastou e adoeceu de rancores e desamor e indiferença, todos contra todos.»
Um relato autobiográfico intenso e inolvidável, com as marcas e as chaves da escrita de Camila Sosa Villada, o novo furacão da literatura latino-americana.
Mikki Kendall
O movimento feminista tem um ponto cego e, ironicamente, esse ponto cego são as mulheres. As correntes feministas convencionais raramente encaram a satisfação das necessidades básicas como uma questão feminista e, demasiadas vezes, concentram-se não na sobrevivência das muitas, mas no aumento dos privilégios de poucas. Essa miopia, alimentada por divisões internas e pelo privilégio étnico-racial e de classe, fragiliza a solidariedade entre mulheres e deixa, sobretudo, as mulheres negras e periféricas à margem.
«Como podemos falar de união», questiona Mikki Kendall, «se algumas continuam a oprimir outras?»
Em Feminismo na Periferia, Kendall confronta as falhas do feminismo contemporâneo, partindo da sua própria experiência — marcada pela violência, pela pobreza e pela hipersexualização —, e analisa com lucidez temas como direitos reprodutivos, experiências de abuso, cultura popular e saúde mental.
Feroz, incisivo e profundamente necessário, este livro é tanto uma denúncia de um movimento em transformação como um apelo a todas as mulheres que se reivindicam feministas para que vivam, em pensamento e em ação, segundo o verdadeiro propósito da causa.
Jazmina Barrera
tradução: Ellen Maria Vasconcellos
Linea Nigra acompanha a primeira gravidez da escritora mexicana Jazmina Barrera. Escrito num registo fragmentário, transforma a experiência da gravidez num espaço de pensamento e revelação. Entre ecografias, técnicas de amamentação, tremores de terra que assolam a Cidade do México, tradições indígenas ancestrais e referências a artistas como Virginia Woolf, Simone de Beauvoir ou Frida Kahlo, este diário íntimo procura dar sentido aos mistérios da maternidade.
Jazmina Barrera (1988) é uma autora mexicana. Estudou Escrita Criativa em Espanhol na NYU com uma bolsa Fulbright, e os seus textos foram publicados em meios como The Paris Review, The New York Times e El País. Os seus livros foram publicados em doze países, traduzidos para várias línguas e distinguidos com diversos prémios e nomeações internacionais. Vive na Cidade do México.
«Linea Nigra ilumina a natureza complexa e contraditória da gestação: um estado atravessado por terrores, mas também por esperança e amor; um mistério biológico e espiritual que diz respeito a todos os seres humanos, enquanto indivíduos e enquanto sociedade.» — The Guardian
Greta Clube
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você mesmo escolhe os livros e aproveita os descontos.
Rebecca Solnit
Rebecca Solnit é uma observadora crítica da vida pública e cultural norte-americana e dos modos de vida do mundo ocidental. É uma figura participativa em causas atuais, não apenas como voz de denúncia, mas, sobretudo, partilhando a sua visão, invariavelmente construtiva e singular. Na vintena de livros que publicou até agora - sobre as mais diversas temáticas, sempre atuais e muitas vezes polémicas - há uma constante: a esperança. E os caminhos que nos levam a uma mudança positiva.
Em tempos conturbados e obscuros, os seus ensaios - peças literárias de grande claridade e envolvência - ajudam-nos a pensar, a procurar possibilidades individuais e coletivas, a perder o medo de agir e o temor da imprevisibilidade.
Neste livro, Solnit propõe-nos perseverança, coragem e esperança. E se os percursos para um mundo melhor e mais justo são lentos e tortuosos, ou se no avanço há sempre recuos, a nossa visão tem de procurar a dimensão do longo prazo.
«Um céu cheio de florestas», «O desespero é um luxo», «A grande transformação» ou «A esperança em horizontes longínquos» são alguns dos belíssimos títulos que compõem este volume, que convoca - como todos quantos Rebecca Solnit escreveu - o poder das histórias e de as contar.